Terça-Feira, dia 01 de Junho de 2010
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Novembro de 2009

Diversão…só com álcool

O consumo de álcool é frequentemente associado a prazer, e diversão. Contribuem para essa ideia todas as imagens idílicas de extensas praias de areia com palmeiras e bares onde as ...

O consumo de álcool é frequentemente associado a prazer, e diversão. Contribuem para essa ideia todas as imagens idílicas de extensas praias de areia com palmeiras e bares onde as bebidas são servidas em cocktails coloridos. Outra das imagens associada a prazer prende-se com bares e cafés onde se podem ver grupos à volta de uma mesa com um copo na mão (cerveja, whisky) e sempre “muito bem dispostos”. Objecto de prazer, independentemente das finalidades e consequências do seu consumo pontual ou regular, o álcool tem por efeito primeiro a alteração do comportamento do seu utilizador. Podemos chamar-lhe droga pois como todos os estupefacientes penetra no cérebro para modificar o seu funcionamento. Existem factores ligados à personalidade como impulsividade que favorecem o desenvolvimento de comportamentos repetitivos orientados para a procura do prazer ou para o alívio de estados emocionais desagradáveis. Nestes casos perante situações de crise pessoal geradoras de sofrimento psicológico, ficam reunidas as condições ideais para indivíduos mais vulneráveis procurarem através de determinados consumos o alívio das suas frustrações e inseguranças. Numa perspectiva psicológica o alcoolismo é encarado como uma doença aprendida ou um padrão de comportamento maladaptativo representando uma forma de lidar com os problemas, uma expressão sintomática de um conflito emocional, uma série de respostas condicionadas, ou simplesmente um “mau hábito”. O poder que o álcool tem para aliviar temporariamente o stress emocional ou provocar a desinibição em situações sociais, entre outros atributos, reforça a necessidade compulsiva de beber.
A dependência psíquica, define-se como um desejo irreprimível de beber (o craving) em determinadas circunstâncias, ou por uma necessidade irresistível de o consumir (a compulsão) e de repetir esse comportamento. A dependência do álcool instala-se facilmente nestas pessoas dado que o seu consumo é legal não havendo por isso a marginalização do consumidor, está disponível sem ser dispendioso e as consequências negativas do seu consumo não se fazem sentir a curto nem a médio prazo o que faz passar a ideia da sua aparente inocuidade. A contenção da publicidade assim como medidas mais restritivas no acesso ao álcool poderão ajudar a consciencializar a sociedade para o problema do seu consumo estar associado a uma modificação do estado de espírito e como tal a ter a conotação negativa de DROGA.

FERNANDA ROSA
Psiquiatra
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