Terça-Feira, dia 01 de Junho de 2010
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Novembro de 2009

Dia Mundial da Saúde Mental 10 de Outubro

O dia 10 de Outubro é o dia consagrado mundialmente à Saúde Mental. Não há o dia mundial da psiquiatria. Juntemo-los então. A sociedade já venceu imensos tabus. Falta-lhe vencer o ...

O dia 10 de Outubro é o dia consagrado mundialmente à Saúde Mental. Não há o dia mundial da psiquiatria. Juntemo-los então. A sociedade já venceu imensos tabus. Falta-lhe vencer o tabu da Psiquiatria / Saúde Mental. A sociedade não fala nelas, sobretudo na primeira. Só a palavra arrepia, afasta, angustia, provoca a ironia, o riso, o achincalhamento, a estigmatização. Mas as pessoas que têm doença mental são das pessoas mais sofredoras com que nos cruzamos todos os dias (com muitas não, pois estão internadas há dezenas e dezenas de anos em hospitais psiquiátricos).
É uma das histórias mais terríveis e cruéis de todos os tempos, a história das pessoas com doença mental. Mas as sociedades foram sempre muito lentas a lidar com estas áreas. Há poucas cabeças a pensarem nelas.
Mas há novidades. A viragem do século trouxe esperança em melhores dias. O mundo civilizado (assim entendido) passou a olhar para as pessoas com doença mental como pessoas iguais, com dignidade, com direitos, com sentimentos e emoções, com capacidades e competências, com vontade, com razão, com ideias, com opinião. Pessoas reabilitáveis e integráveis nas sociedades. Não se fala mais em institucionalização (“meter os doentes nos hospitais psiquiátricos”) mas em desinstitucionalização (saída dos hospitais) e em reabilitação e integração psicossocial (manter-se na comunidade, ou tornar a ela quando preparados do ponto de vista psíquico e social).
A actual Lei de Saúde Mental e o Decreto-Lei já aprovado pelo Governo português como que destaparam, com clareza, o tabu da psiquiatria em Portugal. Assim, foi criada uma Rede de Cuidados Continuados Integrados em Saúde Mental, cuja prestação de cuidados é assegurada por: Unidades Residenciais, Unidades Sócio Ocupacionais, e Equipas de Apoio Domiciliário; em articulação com os Serviços Locais de Saúde Mental (a criar) e a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (já criada).
É a mudança de paradigma!
As pessoas com doença mental não podem continuar a ser estigmatizadas como são, é insuportável a carga estigmatizante a que estão sujeitas. Elas e as suas famílias (e até as instituições que delas cuidam). Não é possível continuar a condenar (ignorar, rejeitar, excluir) as pessoas com doença mental, como se não fossem pessoas. Os tempos são de mudança, e ainda bem!

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