Fevereiro de 2010
Como é a minha terra
O Sr. João António Pereira da Mota Sousa nasceu em 1956 em S.Mateus. Foi o único rapaz , penúltimo entre várias raparigas. É casado e tem três filhos.
O Sr. João António Pereira da Mota Sousa nasceu em 1956 em S.Mateus. Foi o único rapaz , penúltimo entre várias raparigas. É casado e tem três filhos: um rapaz com 31 anos, uma rapariga com 29 anos e outro rapaz de 25 anos. Trabalha em S.Rafael há 30 anos. quem o vir por cá na casa fica com a impressão de que é serralheiro ou algo afim. Talvez canalizador. Mas ele aparece por toda a parte, e a fazer actividade muito variadas, predominantemente na área de manutenção.
- o Sr. João trabalhou sempre em S. Rafael?
- Não. Comecei pelo comércio. O meu primeiro emprego foi na Pastelaria Central. Depois fui para o Seminário. Trabalhei lá como empregado de cozinha e de mesa. Naquela altura os tempos eram diferentes. Havia muito mais alunos e professores. Estes tinha, uma sala de jantar própria e eu servia lá.
- Eram muito exigentes?
- Não. Nada. Comiam o que aparecia, e não faziam observações... E eram muito meus amigos. O Sr. Padre Coelho disse-me que se eu me namorasse, ia ser meu padrinho de casamento. E foi realmente.
- Esteve lá muito tempo?
- Não. Foram poucos anos. Meu pai era pedreiro e gostava que eu também fosse. Em dada altura fui para a construção.
- E começou logo como mestre?
- Comecei com ajudante. Trabalhava com dois mestres. Um deles não se preocupava muito com ter o trabalho feito, e metia-me a fazer. Assim passei trabalhar como mestre e tive homens por minha conta. Em dada altura vim fazer uns trabalhos a S.Rafael e gostei disto. Depois contrataram-me, e cá fiquei.
- Afinal qual é o seu trabalho aqui?
- Sou um “faz tudo”, é o que é necessário e não volto a cara a nada: canalizações, esgotos, quartos de banho, máquinas, aparelhos... Não viro a cara a nada, e tudo se faz...
- Bem, logo no princípio de eu cá estar, já foi há 10 anos, tive um problema, pois o meu carro não pegava. O Sr. Hildebrando disse-me que o Sr. João “desenrascava” as pessoas. Procurei-o e o Sr. deu-me solução ao problema...
- Eu gosto de deitar a mão quando as pessoas necessitam....
- Isto quer dizer que se sente bem aqui?
- Perfeitíssimamente bem! Gosto de toda a gente, empregados, técnicos, utentes. Claro, dos Irmãos. Conheci o Sr. Director quando ele esteve aqui a estudar enfermagem. Sou directamente dependente dele no meu serviço.
- Tem-se a impressão de que o sr. gosta de trabalhar?
- Gosto sim Senhor. Eu gosto de receber o meu dinheiro, mas, independentemente disso, gosto de trabalhar.
- Quer dizer, sente-se bem no trabalho!
- Eu trabalho com bastantes dores. Há tempo comecei a sofrer da colunas e estive bastante mal. Os médicos disseram que não era conveniente ser operado. Estive de baixa, voltei ao trabalho, e vou lutando. Mas ,às vezes, custa bastante. Já tenho 39 anos de Caixa; no próximo já faço 40. Mas trabalho com alegria.
- Lê o Irresponsável?
- Leio sempre. E gosto de ler.
- De que é que gosta mais?
- Hum...
- Não tenha medo de dizer, se não gosta!...
- Gosto a sério. O que mais gosto são as anedotas!! Mas o jornal tem coisas muito boas!
- Gosta das notícias da Casa?
- Gosto. Vê-se lá muitas coisas que nem sabemos que aconteceram; isto é uma Casa muito grande e com muitas actividades.
- Tem alguma mensagem para os nossos leitores?
- Desejo muitas felicidade a todos: empregados, utentes, todos...
- Muito Obrigado.
O Irresponsável
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