Terça-Feira, dia 01 de Junho de 2010
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Junho de 2010

Violência nas Escolas

O Bullying embora não sendo um fenómeno novo, tornou-se muito mediáticas dadas as suas consequências fatais. Foi o que aconteceu recentemente no caso da criança de Mirandela.

O Bullying embora não sendo um fenómeno novo, tornou-se muito mediáticas dadas as suas consequências fatais. Foi o que aconteceu recentemente no caso da criança de Mirandela. Trata-se de um termo inglês para descrever actos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos praticados por um indivíduo (agressor) contra outro do mesmo sexo (vítima). Trata-se de jovens com idades entre ao 10 e os 18 anos, que têm como objectivo principal intimidar o outro para aumentar a sua popularidade entre os colegas. Muitos deles, antes de se transformarem em agressores, também foram vítimas. A intimidação pode deixar marcas e levar a actos de desespero como o suicídio. Os agressores normalmente cresceram em lares dominados pela violência, têm um baixo limiar à frustração, não respeitam regras e têm fraco rendimento escolar. As vítimas são crianças sensíveis que levam a sério as injúrias do agressor e provêm de lares bem estruturados mas onde não foram ensinados a defender-se em caso de agressão. São jovens que apresentam algo que os diferencia como usarem óculos, serem gordos, terem alguma deficiência. Os jovens que presenciam estas cenas de violência muitas vezes não agem por recearem tornar-se as próximas vítimas. Estas situações podem ser detectadas se estivermos alerta para determinados sintomas, como quando as crianças manifestam medo de ir à escola, pedem para mudar de escola, perdem o interesse nos estudos, usam as dores de cabeça e de barriga para evitarem a ida para a escola, sentem-se ansiosos, têm pesadelos, regressam da escola com a roupa suja ou rasgada ou com arranhões ou nódoas negras. A maior parte sofre em silêncio. Não denunciam essas situações nem aos pais nem aos professores com medo das consequências. O que fazer perante estes casos que são frequentes e podem em casos extremos ser fatais? Em primeiro lugar deve-se admitir a sua existência; depois em caso de se desconfiar de tal situação os órgãos de gestão da escola devem ser alertados para o que se passa para serem tomadas medidas que previnam o agravamento das relações entre os alunos. Os pais devem incentivar os filhos a relatarem todas as situações em que estes sejam molestados como forma de se defenderem destes predadores. Estas agressões ocorrem fundamentalmente durante o recreio. Daí a necessidade de uma vigilância cuidadosa desses espaços, o que infelizmente nem sempre acontece por falta de recursos humanos, devido a contenção económica. Mas atenção porque estamos a falar de jovens que serão os adultos de amanhã. A formação é fundamental para criar bons gestores e bons governantes.

FERNANDA ROSA
Psiquiatra
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