Quarta-Feira, dia 28 de Novembro de 2018
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Como é a minha Terra

Novembro de 2018

Como é a minha Terra

1 - Sidónio Dias, 56 anos, nascido na freguesia das Lajes da Ilha Terceira, onde sempre residiu e desempenhou a sua profissão de empresário.
O seu percurso na Casa de Saúde S. Rafael é particularmente interessante e meritório. O primeiro contato com esta Instituição foi há cerca de 4 anos, por sua iniciativa e num pedido de ajuda, tornando-se numa primeira fase, utente da Unidade de Alcoologia, e numa fase seguinte, do Centro de Promoção de Autonomia.
Na última valência, depressa se destacou pelo gosto por atividades relacionadas com habilidades manuais. Evidenciou-se igualmente pelo elevado nível de responsabilidade, pela sua motivação e comprometimento com o seu processo reabilitativo. A estas caraterísticas não ficaram indiferentes os técnicos responsáveis pelo centro de dia, que, assim que lhes foi possível, lhe ofereceram uma “oportunidade de ouro”.
Passa assim, de utente para colaborador, num contrato de substituição com a duração e de 6 meses. Persistem as qualidades relacionadas com esforço e empenhamento, o que será valorizado com mais dois contratos, até se tornar colaborador efetivo.

2 - O que pensa do seu percurso nesta Casa, Sr. Sidónio?

“Isto é totalmente diferente da vida que eu tinha. Gosto muito do que faço. No início, foi um desfio assustador. Quando me foi proposto, tive reticências em assumir as responsabilidades que me propunham, mas depois, com o apoio que tive, tudo foi ficando mais fácil. Achei que devia corresponder e não desiludir, depois de tudo o que tinham feito por mim aqui neste Centro de Dia.”

3 - O que pensou a sua família nessa altura, dessa oportunidade?

Sempre senti o apoio de todos, nunca ninguém me desmotivou, deram-me força, e hoje em dia reconhecem que foi fruto do meu desempenho.

4 - …e lá na freguesia? Sentiu algum tipo de estigma por vir para esta Casa?

“Pois…ainda se sente alguma coisa…São Rafael ainda é vista como a casa amarela. Mas eu acho que é porque as pessoas não sabem o que aqui se faz, os serviços que existem…

5 - O que faz no seu dia a dia, neste Centro?

“A parte de artesanato do Atelier Romã, acompanhando os utentes na sua ocupação e contribuindo para o seu desenvolvimento, conforme as capacidades de cada um.”

6 - E que trabalhos específicos produzem nesse Atelier?

“O que sai do Atelier Romã, são essencialmente, trabalhos em madeira, como os bancos mealheiro, as marralhinhas, e outros executados pelos utentes, sempre limitados pela capacidade de cada um. A nossa função não é produzir para vender, mas sim a ocupação do utente.”

7 - As Marralhinhas têm sido um sucesso…

“Sim. Já é uma imagem de marca da Casa. Têm sido melhoradas em termos de acabamentos, e podem até ser personalizadas.
Há uma coisa interessante que descobri há pouco tempo, quando lia um artigo escrito por um psicólogo: o ludo contribui paro desenvolvimento mental da matemática. Ora, sendo a marralhinha um jogo desse género, sem nos apercebermos, estamos a fazer contas, logo a exercitar o cérebro!”

8 - E o que acontece às Marralhinhas que produzem?

“Vendem-se no nosso espaço da Praça do Mercado, chamado “Fazemos Por Nós” e também nas diversas feiras de artesanato nas festas da Ilha. Também podem ser vendidas na própria Casa. Há muita gente que nos procura diretamente no Centro. A mensagem vai passando de pessoa para pessoa.
As nossas marralhinhas já ultrapassaram fronteiras: já estão em Espanha, França, Brasil, América…

9 - Como tem conhecimento disso?

Porque acabo conversando bastante com as pessoas que cá vêm buscar a sua marralhinha…

10 - Este contato direto tem vantagens, então?

Sim, as pessoas contam-me de onde são, para onde vão, e eu explico um pouco da Casa, do internamento, o que é um hospital psiquiátrico e como funciona, mais especificamente, o Centro de Dia.

11 - E perspetivas para o futuro?

Viver o dia a dia, sem grandes preocupações, tentando sempre evoluir, aprendendo mais, para poder transmitir melhor.

12 - Que mensagem gostaria de deixar aos seus utentes?

Há um provérbio chinês que diz “Diz-me e eu esqueço, lê e eu lembro, envolve-me e eu aprendo”.
É isto que eu gostava de lhes deixar...

Muito obrigada
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