Segunda-Feira, dia 03 de Fevereiro de 2020
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Como é a minha terra

Fevereiro de 2020

Como é a minha terra

Nome: OSVALDO TADEU PACHECO


Idade: 66 anos


Como era a sua vida antes de vir para a CSSR?


Relativamente à minha vida académica, inicialmente frequentei o curso de Biologia em Lisboa. Ingressei em 1968, com 18 anos. Em simultâneo, assistia (não estava matriculado) às aulas de Medicina Veterinária. A vida social lá era animada, havia muito por onde escolher. Fazia frequentes visitas ao jardim zoológico, e ia muito a Alfama onde fiz grandes amigos e amigas e saboreava petiscos deliciosos. Tenho boas recordações destes tempos!


Frequentei, durante 3 anos a Universidade em Lisboa, e depois fui de livre vontade, para a universidade de Coimbra, onde fiz o curso de Filosofia. 


Nestes sítios por onde que passou viveu sempre sozinho?


Vivia sempre em residências universitárias. 


E sabia cozinhar?


Não sabia, e não sei ainda. Nunca me interessei por isso, e também nunca precisei: Comia frequentemente nas cantinas amarelas (duas cantinas que serviam refeições aos estudantes a preços mais económicos) e ocasionalmente na Cozinha Económica. Eram lá servidas sopas, massas italianas, ovos cozidos…


Agradavam-lhe, essas refeições?


Sim, na altura apreciava.


E agora, o que gosta mais de comer?


Agora gosto muito da comida tradicional Portuguesa: uma boa sopa de couves, sopa de feijão catarino, os pratos de bacalhau, o cozido à portuguesa. Exeção feita ao polvo de que não gosto mesmo!


Continuando o seu percurso de vida…


Terminei, o Curso de Filosofia, e lecionei em Coimbra na Escola D. Maria II e no Liceu Jaime Cortesão, e também em Figueiró dos Vinhos.


Mais tarde, fui professor de Biologia em Castelo Branco, onde escrevi e publiquei um pequeno livro de história local, intitulado: “Dos Açores….a Castelo  Branco” .


Foi em castelo Branco que adoeci. Estive internado 15 dias no Hospital Distrital de Castelo Branco Amato Lusitano (nome de um médico famoso do século XV que também serviu para estátuas, ruas, farmácias…), e foi a Dr.ª Teresa Barbosa, médica psiquiatra (lembro-me que se tratava de uma senhora muito excêntrica, que envergava um vestuário muito alegórico!) que me aconselhou a regressar aos Açores, para vir para junto dos meus pais.


 Regressei, então à Terceira para casa dos meus pais.


E em que contexto se deu a sua vinda para a Casa de Saúde?


Além de me sentir muito triste, por estar como que dividido entre a minha vida profissional de professor (que abandonei), e a companhia dos meus pais (que me era vital), eu também passei uma fase em que consumia bastante álcool, e o meu pai tinha um grande desgosto!


O meu pai contatou com psicólogas, fui internado na Unidade São João de Deus, e depois fui transferido para a São Ricardo Pampuri. Vim em 2006, e vim para ficar!


Já conhecia esta Casa?


Sim, quando eu vinha cá de férias, conversava muito com o Dr. Hélio Flores, tínhamos alguns interesses em comum. Ainda em Castelo Branco lhe enviei algumas cartas, mas quando vim, ele já tinha falecido…Tive muita pena…


E como é o seu quotidiano cá?


Estou a receber tratamento para uma quantidade de coisas, até para a Diabetes. Tenho muito apoio e ainda esta semana fui atendido por um médico neurologista.


A verdade é que ainda não me recompus do desgosto que tive com a morte dos meus pais. Tinha uma ligação muito forte com eles. (O meu pai faleceu em 2009 e a minha mãe em 2011), por isso, por vezes, passo por umas fases de maior depressão, que não facilitam as saídas que tão bem me fazem.


Quando estou melhor, vou muito à biblioteca onde sou muito bem recebido, e agora recomecei a minha assinatura do Círculo dos Leitores.


O que mais gosta de fazer aqui na Casa?  


Conversar com os outros utentes é um pouco complicado, mas sempre vou falando sobre Política com aqueles que são mais ou menos da minha idade. Converso um pouco mais com os colaboradores. Na televisão vejo com frequência concursos de cultura geral. Não tenho muita apetência para jogos de cartas nem de tabuleiro. Gosto de jogar às Damas, aliás, as coisas que aprendi com mais rapidez, foi a ver as horas e a jogas às Damas! Também gosto muito de escrever, tenho muita facilidade em redigir.


Sobre que assuntos escreve?


Escrevo muito sobre animais, história, (gosto muito do Rei D. Carlos porque ele era um entusiasta da oceanografia e meteorologia), e também sobre memórias de pessoas que me marcaram.


 


Gosta de animais?


Sim, gosto muito de animais. Fui criado entre gatos, pois a minha avó paterna gostava muito de gatos. Nos últimos tempos, ia diariamente comprar ração para alimentar gatos de rua que andavam pela vizinhança de casa da minha irmã.


Tem uma irmã…que relação tem com sua família?


Eu sou o irmão mais velho de quatro. Tenho 3 irmãs, a mais velha faz 65 anos, e faz cerca de 15 meses de diferença de mim. 


Alguma mensagem que gostasse de deixar aos leitores do Jornal “O Irresponsável”?


A minha mensagem, é que tenho muito apreço por este Jornal, pois já estou ligado a ele há muitos anos. Fui seu colaborador durante algum tempo e devemos ser mais ou menos da mesma idade….!


 


Ana Ferreira e Leonor Braz

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