Segunda-Feira, dia 03 de Agosto de 2020
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Como é a minha terra

Junho de 2020

Como é a minha terra

Entrevista Colaborador Ana Ferreira:
Nome Completo: Ana Carina Machado Ferreira
Data de Nascimento: 26/06/1987
Função que desempenha: Psicóloga na USJD e UIS
Conhecia a Instituição antes de iniciar a sua atividade na CSSR?
Antes de começar a exercer funções na CSSR, sabia a sua localização e finalidade, no entanto, nunca tinha estabelecido nenhum contacto com esta. Desconhecia como eram divididos os serviços, a divisão das Unidades de Internamento (médio e longo), Unidades Residenciais de Reabilitação, o Centro de Promoção de Autonomia e outros projetos que a Casa está envolvida.
O que pensa das atividades desenvolvidas pela CSSR, e o que ainda pode ser feito para envolver a comunidade?
Tinha noção e sempre admirei o dinamismo da instituição. Os eventos que realiza, permitem um maior contacto com a comunidade e combatem o estigma e exclusão social. Iniciei a minha atividade profissional na CSSR a 18 de novembro de 2019, e na semana seguinte decorreu a VI Semana da Reabilitação Psicossocial, que penso ter sido um momento crucial para a minha boa integração. Tive a oportunidade de conhecer melhor os meus colegas, em momentos de convívio entre colaboradores, e pude conhecer outras atividades que realiza com o exterior, a fim de dar a conhecer a instituição e o trabalho desenvolvido nesta. Portanto, penso que já muito é feito neste sentido, e que os resultados destas iniciativas são visíveis, mas é sempre possível fazer mais. A perceção que tenho é que a CSSR é muito recetiva à elaboração de novos projetos que promovam a dignidade e qualidade de vida das pessoas com doença mental e seus cuidadores.
Acha que a doença mental ainda é vista com algum estigma social?
Infelizmente acho que sim! Contudo, também acredito que muito se tem feito para o contrariar, e cabe a nós todos combater este estigma e a exclusão social. Penso que é importante que as pessoas reflitam sobre os seus próprios preconceitos e crenças em relação à doença mental, e em que medida os transmitem aos mais novos. Para isso, devem esclarecer as suas dúvidas sobre a doença, e evitar que estas se prolonguem no tempo, para que com as novas gerações, este estigma acabe mesmo por desaparecer.
Com que dificuldades se deparou quando estabeleceu o primeiro contacto com a Casa e sua população?
Confesso que no início estava um pouco receosa de não estar à altura de tal desafio, visto estar até à data a exercer funções em contexto educacional, embora tenha formação em clínica e saúde. Encarei a oportunidade com muita satisfação e motivação, e isso facilitou o processo de integração. Contudo, o público alvo da minha intervenção é diferente e muito mais estimulante, e por isso, exige mais de mim enquanto profissional e sobretudo enquanto pessoa. É importante referir que as dificuldades iniciais foram minimizadas graças ao apoio do meu colega Dr. Ricardo Brasil, que no primeiro dia me levou a conhecer as unidades de internamento (Unidade São João de Deus e Unidade Irmão Sinforiano) nas quais iria essencialmente intervir. A forma como interagiu com os utentes e equipa de profissionais foi deveras incentivadora e simplificou a minha integração e interações posteriores.
Acha que esta sua experiência na CSSR lhe pode ter trazido algum enriquecimento pessoal? Se sim, especifique.
Sem dúvida nenhuma! Considero-me neste momento muito mais rica, não só a nível pessoal, como profissional. Quando lecionei a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, dizia que aprendia muito com os alunos e com as suas vivências. Aqui não é diferente. Os utentes ensinam-nos a ver a vida numa outra perspetiva, a valorizar pequenas coisas como os afetos e a liberdade que podemos usufruir e podemos exercer nas nossas vidas.
Como se sente como colaboradora da Casa de Saúde de São Rafael, e parte integrante da família hospitaleira de São João de Deus?
Sinto-me lisonjeada por tal oportunidade, e só tenho a agradecer. Desde o primeiro dia que fui muito bem acolhida por todos os que aqui trabalham. Fizeram-me sentir como se aqui trabalhasse há mais tempo. O carisma de São João de Deus está bem presente nos colaboradores da CSSR, desde a forma como lidam com os utentes, até à forma como se relacionam uns com os outros.
Qual o contributo da psicologia numa instituição como esta, tendo em conta a sociedade atual?
Sendo eu psicóloga e “puxando brasas à minha sardinha”, penso ser de extrema importância o trabalho dos profissionais em saúde mental na nossa sociedade e em instituições como esta. Vivemos, um tempo em que as pessoas estão centradas nas suas necessidades, em responsabilidades laborais, familiares e financeiras, restando pouco tempo para atividades mais prazerosas e que ajudam a alimentar uma boa saúde mental. É cada vez mais importante, ver a psicologia como uma ciência que para além de estudar o comportamento humano e processos mentais, atua na prevenção de doenças e na promoção da saúde mental. Portanto, numa instituição que visa apoiar pessoas com uma saúde mental fragilizada ou doença mental, é importante a presença destes profissionais em conjunto com uma equipa multidisciplinar, para assegurar a redução do sofrimento psicológico dos utentes, e proporcionar um melhor processo de reabilitação. Na CSSR a intervenção do psicólogo é transversal a todos as Unidades (Longo internamento, Agudos, Alcoologia, Unidades Residenciais e Fórum Sócio - Ocupacional) e está presente nos diversos projetos comunitários apoiados pela instituição. Esta varia em frequência, duração e objetivos. Intervém nos mais diversos níveis como, no combate ao declínio físico e intelectual, à marginalização social, promoção da independência, autonomia, melhoria das competências cognitivas e da qualidade de vida, assim como na construção de processos de mudança comportamental, psicossocial e emocional, entre outros. Através de alguns projetos, também visa reduzir e prevenir situações de risco social e pessoal, incluindo necessidades de integração social, acesso à informação, recursos e igualdade de oportunidades.
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