Segunda-Feira, dia 02 de Agosto de 2021
Director - Pe. F. Caetano Tomás
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Agosto de 2021

Como é a minha terra

O seu nome?
Nicholas Phillip Raposo

A sua idade?
29 anos.

É natural de onde?
Canadá, mas já resido na Ilha desde os meus 3 anos de idade.

Como ficou a conhecer a Casa de Saúde de S. Rafael?
Desde muito jovem que tenho conhecimento da existência da Casa de Saúde de S. Rafael. Confesso que enquanto criança tinha uma perceção algo errada, mas ao crescer fui ouvindo algumas ideias diferentes, e ao cá chegar percebo que a realidade é completamente diferente do estigma erróneo da sociedade.

Quem o encaminhou e como, para o Fórum Socio-Ocupacional (CPA)?
Após ter dado grandes passos na minha jornada, e através de muita insistência de uma amiga chegada, decidi visitar a Segurança Social e pedir-lhes alguns conselhos, e saber quais os meus direitos como cidadão. Foi aí que aprendi sobre a existência do CPA, e após alguma consideração, aceitei a sugestão e aqui estou faz três meses desde então.

Como tem sido a sua experiência no Fórum Sócio Ocupacional (CPA) da Casa de Saúde de S. Rafael?
Enriquecedora… Muito diferente do que esperava. Tem sido uma experiência muito agradável, um ambiente muito positivo, não só criado pelos utentes, como também por quem cá trabalha, dando-me assim a oportunidade de me exprimir tal como sou, e até mesmo conhecer mais sobre a minha pessoa.

Quais as atividades que realiza no Fórum Sócio Ocupacional?
Estou inserido num atelier ocupacional, denominado de “Atelier Habilidades” – onde através da arte, da escrita, entre outros, tentamos enfrentar e perceber os problemas com que nos deparamos no dia-a-dia. Também realizamos atividades do foro da estimulação cognitiva, de forma a colmatar as lacunas inerentes às diversas vivências. Estas atividades têm sido uma mais-valia, inclusive (no meu caso) um complemento à medicação prescrita.

Qual a sua perceção atual sobre a Casa de Saúde de S. Rafael?

Antes de saber da existência do Fórum Sócio Ocupacional (CPA), grupo em que me encontro inserido em contexto ocupacional, apenas conhecia a resposta de internamento psiquiátrico. Rapidamente aprendi que a nossa Casa de Saúde engloba muitas outras funções, tentando assim ajudar uma grande variedade de pessoas. Dito isto, naturalmente a minha perceção mudou agradavelmente pela positiva.

Acha que a doença mental é vista com algum estigma social?
Pela minha perspetiva sim, sem dúvida… Creio que ainda um grande número de pessoas na nossa sociedade vê a doença mental como algo incompreensível, como uma invenção para ser usada como desculpa para não lidarmos com o fazer, no pior dos casos existem algumas pessoas que nos vêm como dejetos da sociedade, algo a ser removido de imediato para alguma ala hospitalar.
No entanto, apesar desta ser a realidade aos meus olhos, tenho que reconhecer que aos pouco se tem propagado alguma sensibilidade sobre a doença mental pela população, graças a palestras, talk shows, entre mais… criados por psicólogos e “professores” da área. Infelizmente, outro grande contributo desta nova onda de compreensão, é a própria doença que se tem infiltrado na mente das pessoas.

Tem alguma experiência pessoal associada a esse estigma?
Para lhe ser sincero, acho algo difícil alguém ter uma doença mental e ficar livre de ter alguma experiencia relacionada ao estigma, sejam estas ataques diretos ou algo mais indireto, como maus olhares ou breves comentários. Recordo-me de algos membros familiares terem uma opinião negativa sobre a doença mental, diziam que era coisa para “gente manhosa”. Nos meus piores momentos quando conseguia sair à rua, recebia alguns olhares, e mais tarde ainda fiquei a saber, que várias pessoas e vizinhas da rua onde moro, falavam mal de mim nos seus cochichos e teorias sobre a minha pessoa. Para além de depressão também tenho fobia social, que causa alguns desafios em fazer entender o que sinto, e como lido com as pessoas que me são mais chegadas. Devido à minha fobia, manti-me algo afastado da sociedade, mas acredito que teria sentido mais esse estigma se me mantivesse mais integrado.

Qual é o seu objetivo e projetos para o futuro?
Estabilidade. Estou à procura, e usando o CPA como ajuda para essa tal estabilidade emocional e psicológica, quero mais tarde sim, ir em busca de novos desafios e ocupações remuneradas. Um dos meus desejos é visitar a minha terra natal, em simultâneo gostaria de viver num país Nórdico, e criar algum projeto do meu interesse, que fornecesse ajuda a variadas comunidades.
Que mensagem deixa aos nossos leitores?
Como disse antes, a minha experiência cá tem sido magnífica, pelo que espero que com o passar do tempo, e com a informação passando de boca em boca, que o estigma errado das pessoas sobre a CSSR e “doenças invisíveis” mude. Quero por fim agradecer a toda a Casa, especialmente à minha monitora Sandra Barbosa e à Dr.ª Marlene Garcia, pela sua vontade e disponibilidade, o meu muito obrigado.


Muito obrigada pela colaboração.
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